Cancelar de através

algumas coisas jamais
alcançam o porvir
o futuro
elas se desfazem sutilmente
no avançar dos dias
com seu peso
sua insustentável leveza
com a magnitude do silêncio
fazendo seu ponto definitivo

o cancelamento
o abortamento que suporta a
nuvem que cobre a lua na noite
cinzenta
ou de quem perde o trem
disparado pela falta de fôlego

o cancelamento
das palavras que
costuram nossos pensamentos
até à boca

o fim com as profecias jogadas na
cara como um tapa
a carne sangra
a vertigem surge como a queda
para lugar nenhum

o porvir ganha sua leveza
insustentável
seu peso ao ponto do baque
o lunático que sabia o fim
o fim desejando o abraço
de despedida
quebrado
falso
o socorro do outro lado
que encerra
termina com o espetáculo
dos homens
das mulheres
dos humanos que
se penduram nas vírgulas
da certeza
do apagamento
com a borracha ruim
o nosso reescrever

Horácio Pontes

 

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