O futuro se tornou uma espécie de calvário pra mim, o presente torna-se deserto a cada dia. As coisas andam tão rápidas, as pessoas andam tão apressadas e sem tempo, giram e se repetem ao ponto de exaustão. Quando explodirão? Os que mudam acabam se isolando, deixando o lugar mais vazio do que estava, ocupamo-nos com filosofias liquidáveis na próxima esquina do pensamento, no vazio deixado pelo cristianismo e por todas as religiões. Vivemos um hedonismo rápido e miserável, uma grosseria que está longe de ser arte ou paixão.

Algumas pessoas que entram em nossas vidas estão destinadas a sair em seguida, é uma breve memória da rapidez de nossas vidas, ainda que pisemos no freio do tempo com o objetivo de fazer o contato durar mais. Não há força em mim para essas coisas. É um vento com fúria que apenas passa, não tem o objetivo de acabar conosco – embora acabe – e desarruma todo nosso quarto, faz pensar o porquê de ter tirado mais uma cópia da chave de casa. É algo irrecuperável desde o começo e que não sentimos. Podemos nos repetir sempre, mas sem a estrutura não vivemos.

Roberto Lorembrant

  

Anúncios