16.

As máscaras daqueles que fingem não sentirem. A abdicação forçada daquilo que para as pessoas é essencial. A sensibilidade notada não pela ausência, mas pelo fingimento de não a ter. Sensibilidade e razão? E por que esmagamos as pessoas e nossos filhos ensinando-os a virarem cavalos em busca do primeiro lugar? Desumanizar para conquistar. Humanizar e perder em seguida. Atravessar o caminho alheio e não sentir nada com isso. O modo de agir está nos manuais e agir seguindo sua didática é um retorno à dor, mas somente a sua dor. Porque quem vê para, quem ouve corre e quem sente considera o mundo de fora muito mais que uma matéria para se fazer resistir. A máscara que pesa e nos curva com o tempo, vira nosso escudo para a síntese da vida. Afinal, o que seriam das pessoas se fôssemos apenas humanos?

Roberto Lorembrant
Do livro Memórias de vidro

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Máscara

criar ou vestir
a máscara
cantar ou vestir
o tempo
descrever o vento ou
obedecer a linguagem
qualquer linguagem

poemas
poesias
nossa máscara crua
de arrancar a máscara

a palavra
a chama

criar
dilatar
e morrer

Horácio Pontes

 

Máscaras

nada importa
não importa o
discurso
poema
a máscara que
vistamos com
horror e
orgulho

somos atalhos
apagados em seguida

somos silêncio
silêncio obscuro

e se não fosse o amor
não haveria tanto
para se viver
não existira tanto céu
para mapear

e se não fosse a máscara
que vestimos
o amor não seria isso
de um sol que se põe
entre nós

Horácio Pontes

 

Máscaras

perante o amor
não há máscara
ou rosto que consiga
se livrar daquilo
que nos
oculta.

Horácio Pontes